quarta-feira, 18 de março de 2009


No passado dia 13 de Março o país assistiu à maior manifestação de trabalhadores dos últimos tempos.
As ruas e avenidas que desaguam no Marquês de Pombal encheram-se de gente. Mais de 200 mil trabalhadores da Administração Pública e do Sector Privado numa atitude de protesto participaram nesta gigantesca manifestação, convocada pela CGTP-IN.
Estes milhares de trabalhadores afirmaram a sua indignação, o seu protesto contra as políticas de direita do Governo PS/Sócrates e o patronato dando um sinal claro de que não é possível persistir numa política de ataque aos trabalhadores e destruição dos seus direitos.
Reivindicaram melhores salários e condições de vida e protestaram perante a injustiça de desbaratamento de milhões de euros para os bancos (apesar de continuarem a ter lucros astronómicos) ao passo que os trabalhadores têm salários e pensões cada vez mais baixos.
Foi uma gigantesca massa humana a afirmar o protesto dos trabalhadores, contra o patronato que a aproveita a crise para despedir injustificadamente e para baixar salários, contra o desemprego e a precariedade, contra o Código do Trabalho e o Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas e contra o Governo ao serviço dos patrões e dos grupos de interesses financeiros.
Os trabalhadores da Administração Pública estiveram presentes em grande número, defendendo a prestação das funções sociais do Estado com serviços de qualidade e com a dignificação dos seus trabalhadores. Protestaram contra a retirada do vínculo e da estabilidade de emprego, contra o SIADAP e contra a instabilidade e insegurança vividas nos serviços.
Esta manifestação foi um sinal claro para o Governo de que os trabalhadores estão descontentes, não aceitam a persistência na política de direita e exigem uma ruptura com a mesma.
Este sinal de descontentamento não passou despercebido. Foi bem claro para todos e em particular para Sócrates e para o seu Governo PS.
O Governo apressou-se a desvalorizar a Manifestação. O Primeiro-Ministro chegou ao cúmulo de afirmar que os mais de duzentos mil trabalhadores estavam ali ao serviço de interesses partidários.
Esta é uma declaração desesperada de quem tem uma maioria absoluta conseguida à custa de muitos dos trabalhadores que se manifestam e Sócrates sabe que a realidade é outra: os trabalhadores não estavam unidos em função de interesses partidários mas sim unidos contra o Governo e a sua política.
São estas grandes e pequenas lutas que abrem caminho a iniciativas como a da entrega no Tribunal Constitucional para efeitos de fiscalização sucessiva da constitucionalidade de leis tão gravosas como a Lei dos Vínculos, Carreiras e Remunerações, as diversas alterações ao Estatuto da Aposentação e diversos artigos do Código do Trabalho, facto que saudamos.
Estas iniciativas do grupo parlamentar do PCP subscritas por deputados de outros grupos parlamentares, apesar da maioria absoluta do PS, foram possíveis graças à luta dos trabalhadores e à persistência do movimento sindical unitário.
O Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores saúda todos os trabalhadores que participaram nesta Manifestação, dando um sinal claro de que estão dispostos a lutar pelos seus direitos, pela melhoria das suas condições de vida, por um outro rumo para o país.
Os trabalhadores unidos darão a resposta devida aos ataques do Governo e dos patrões.
Lisboa, 16 de Março de 2009
A Direcção

Sem comentários:

Enviar um comentário